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Madeira ou estrutura metálica?

No dia 03 de setembro do ano passado (e também no mês de dezembro), nossa cidade foi assolada por um vendaval, uma enorme torrente de ventos que causou imensos estragos em diversos pontos da cidade. Não somente árvores caídas por todos os lados, mas obras de engenharia destruídas inteiramente, a citar uma nova instalação de uma concessionária de tratores, que teve sua cobertura metálica e o próprio prédio, totalmente destruídos pela ação do vento; e também a estrutura da garagem de uma das maiores indústrias de nossa cidade, que foi arrancada e jogada em cima de veículos que estavam estacionados em seu pátio.

Histórias como essas não são difíceis de puxar na memória. A ocorrência desses ventos é inesperada, porém pode ser prevista no projeto de uma obra. Existem muitas incertezas sobre essa força da natureza, e todos os cálculos, atualmente, são baseados nas estatísticas dos ventos que já foram medidos, mas muitas vezes acontecem eventos maiores do que se pode prever. Os cálculos dos ventos são feitos segundo uma norma ABNT, a NBR 6123, que foi publicada em 1988. Mesmo assim, alguns acidentes como os mencionados têm acontecido em algumas estruturas, porém, em algum momento, você se lembra de alguma construção em madeira que passou pela mesma situação? Telhas, muitas vezes, se rompem com o vento, mas estruturas de madeira dificilmente apresentam problemas.

Toda obra de engenharia precisa de manutenção, e a falta dela é um dos motivos de desastres. Porém, algumas construções desafiam o tempo e, após milênios, se mantêm de pé. As construções em madeiras dos Mogollon nos EUA, por exemplo, resistem ao tempo há mais de 2000 anos. Em nossa região, algumas estruturas de madeira, sem nenhuma manutenção, passando pelo abandono, são motivo de encanto. Uma delas é o IBC (Instituto Brasileiro do Café), uma obra imponente, construída na década de 40, com projeto e execução de Erwin Hauf, engenheiro alemão que migrou para o Brasil com sua empresa de construção no início do século XX, e que executou um conjunto de construções que hoje é objeto de estudo em diversos cursos de engenharia, mestrado e doutorado.

Esse engenheiro trouxe técnicas, até então, desconhecidas no país, e que viabilizaram a construção de grandes estruturas de madeira para galpões (como o do IBC), hangares (alguns em uso com mais de 80 anos), ginásios (como o do Pacaembu, em São Paulo, ainda em uso) e até pontes rodoviárias e ferroviárias. Essas técnicas inspiraram outras empresas que também construíram grandes obras em madeira, muitas ainda em uso, com mais de 60 anos de serviço.

Aqui em Presidente Prudente, temos, também, o exemplo das estruturas das indústrias Matarazzo, que foram construídas de forma tradicional, como faziam os antigos carpinteiros portugueses, e que também passaram pelo abandono, pois boa parte de suas estruturas ficaram sob a ação da chuva, umidade, e esta é uma das condições que mais degradam uma obra de madeira.

Outra obra que chama a atenção é onde se instala a Casa de Oração para Todos os Povos, do Pastor Jeremias. É um local onde funcionava um curtume, e que ficou abandonado, sem cobertura em muitos pontos, e, posteriormente, foi restaurada e transformada em templo/igreja. Neste processo de restauração, no ano passado, iniciou-se a etapa da instalação do forro de gesso.

Nesta etapa da obra, a igreja foi notificada pelo Ministério Público para apresentar um laudo, para saber se a estrutura de madeira seria capaz de suportar o peso do forro.

Por meio do proprietário desta revista, acabei indo ao local. Superficialmente, observei a estrutura e de pronto passei duas informações à diretoria da igreja: é uma boa estrutura, porém tem patologias que precisam ser corrigidas. O telhado precisa da avaliação de um engenheiro especialista em estruturas de madeiras. Tal profissional seria capaz de elaborar um laudo das correções necessárias à estrutura e, ao mesmo tempo, elaborar um cálculo estrutural, capaz de ratificar a segurança da obra, e da confirmação se o peso do forro de gesso seria sustentável ou não. Salientei que seria necessária a substituição de uma pequena parte na estrutura official site. Indicamos a STAMADE, empresa de São Carlos-SP, especializada em projetos e avaliação de estruturas de madeira, que passou alguns dias avaliando a estrutura, sugeriu as correções necessárias e emitiu o laudo que concluiu que, se fossem feitos os reparos, a estrutura de madeira suportaria o forro de gesso. Logo em seguida, indicamos um profissional para a execução dos serviços de carpintaria. Todos os procedimentos foram executados de acordo com o exigido pelo Ministério Público.

Com a adequação da estrutura e sua completa restauração, a cobertura se manterá segura por séculos agora. Recomenda-se, sim, que ela seja reinspecionada, assim como quaisquer outras coberturas ou obras.

Você se lembra de alguma obra de madeira relevante que sucumbiu? Favelas ou barracos em encostas não podem entrar nessa classificação de construção de madeira.

Existe, em nossa região, uma falsa sensação de segurança com concreto e ferro, mas se lembrarmos de países acostumados a enfrentar vendavais, terremotos e demais forças da natureza (Japão e EUA, por exemplo), veremos que a madeira é o material mais utilizado. Sem dúvida, a mãe natureza tem a madeira por sua filha legítima, e toda mãe protege seus filhos. Nenhum outro material tem a flexibilidade e a segurança que se obtém utilizando a madeira